As Corridas de Orientação e a Otimização de Processos

Ao final de uma das provas de que participei este ano, em Balneário Camboriú, encontrei um ex aluno, hoje mestre em Engenharia Química, e sua família, que me falaram de um esporte totalmente novo para mim: a Corrida de Orientação!
Na Corrida de Orientação, o atleta recebe um mapa com uma sequência determinada de pontos, que deve ser cumprida na ordem indicada, sob pena de desclassíficação. Um exemplo pode ser visto na Figura 1 abaixo.


Figura 1 - Mapa da clínica de orientação (Fonte: Flora Clube de Orientação de Florianópolis, 2022)
Esta imagem foi o mapa de uma clínica de orientação realizada em setembro de 2022, por ocasião do Festival Viva Lagoa, na Lagoa de Conceição, em Florianópolis. A clínica de orientação consistia de uma aula teórica, onde aprendemos o básico de interpretação de mapas, e uma parte prática, para treinarmos em um circuito realizado nas dependências do Lagoa Iate Clube. Na Figura 1, o ponto de largada está indicado como um triângulo roxo (no mapa ele se encontra acima e à direita do ponto 15). Ao começo da prova, o atleta recebe um mapa (de acordo com sua categoria) e um pendrive, com o qual deve registrar sua chegada em todos os pontos indicados no mapa, incluindo a largada. Registrada sua largada, o atleta deve seguir para o ponto 1, onde encontrará um prisma (a imagem de capa deste artigo), registrará sua chegada e assim por diante, até o ponto de finalização do percurso, indicado por dois círculos concêntricos (neste mapa, após o ponto 15). Ganha a prova quem concluir o percurso no menor tempo, registrando todos os pontos na ordem correta.
Ora, observa-se que uma linha reta sempre liga dois pontos consecutivos. No entanto, no percurso, nem sempre será possível correr em linha reta. Pode haver barreiras intransponíveis pelo caminho, tais como construções fechadas, propriedades privadas ou cercas altas. É possível que haja rios, lagoas, ou toda a sorte de obstáculos possíveis, com ou sem variação de altimetria.
Então aí que entra a otimização de processos. O atleta tem uma determinada quantidade de energia disponível (as calorias que ingeriu e que estão à disposição para o exercício) e deve utilizá-las com parcimônia, para concluir a prova no menor tempo possível. Eventualmente o atleta terá que contornar algum obstáculo. Então vários questionamentos ocorrem durante a competição: qual o menor caminho entre os pontos 1 e 2? Devo escolher entre um percurso mais curto ascendente ou o percurso mais longo descendente? É preferível contornar a lagoa ou atravessá-la em linha reta? No que eu sou melhor? Subindo ou descendo? Correndo ou nadando?
A otimização de processos, sobretudo na engenharia química, também funciona sob este princípio, que seria a obtenção de um produto utilizando a menor quantidade de recursos possíveis no menor tempo decorrido. Por recursos podemos entender reagentes, energia, catalisadores, solventes etc. O engenheiro deve encontrar o menor caminho possível ou o menos dispendioso, de forma a obter o resultado o mais rápido possível.
Você deve estar se perguntando como foi meu desempenho. Obviamente, no primeiro contato com o esporte, foi de regular a sofrível. Mas consegui registrar todos os pontos na ordem correta e não fui desclassificado. Isto me habilitou para minha primeira prova, que ocorreu no dia seguinte, na Lagoa da Conceição, conforme indicado na Figura 2.


Figura 2 - Mapa da Corrida de Orientação da minha categoria.
Comparando-se as Figuras 1 e 2, vem à mente o popular meme: "Na aula e na prova". Foi exatamente o que eu senti quando recebi o mapa. Sequer conseguia encontrar o triângulo que mostrava o ponto de largada. Depois de meditar profundamente, consegui encontrá-lo, seguir para o ponto 1, 2 etc, até o final e concluí a prova em 42 minutos aproximadamente.
Resultado: não fui desclassificado, devo ter sido o último na minha categoria, me afiliei ao Clube de Orientação e neste domingo tenho mais uma prova. Recomendo que experimentem uma prova deste tipo, se quiserem treinar os músculos e os neurônios simultaneamente!
Autor: Luizildo Pitol Filho